Recursos terapêuticos no cuidado da dor, da funcionalidade e do movimento
- Dra. Iara Andrade

- 11 de mar.
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Atualizado: há 6 dias
Os recursos terapêuticos que utilizo na prática clínica são avaliados de forma individualizada, sempre de acordo com a história do paciente, o exame físico, os objetivos do tratamento e o contexto funcional de cada caso.

A termografia médica, por exemplo, é um método não invasivo que registra a radiação infravermelha emitida pela pele e a converte em imagens térmicas. Em medicina musculoesquelética e do esporte, ela pode funcionar como ferramenta complementar para observar padrões térmicos relacionados a inflamação, sobrecarga, dor e acompanhamento de evolução clínica, especialmente quando integrada à avaliação médica e não usada de forma isolada.
Outro recurso que pode ser indicado em casos selecionados é o agulhamento seco, técnica utilizada no manejo de pontos-gatilho miofasciais. A literatura sugere benefício sobretudo no alívio de dor no curto prazo em alguns quadros musculoesqueléticos, embora a magnitude do efeito varie entre condições clínicas e estudos. Por isso, sua indicação deve ser criteriosa, inserida em um plano terapêutico mais amplo e alinhada à necessidade funcional do paciente.
A cannabis medicinal também pode ser considerada em situações específicas, dentro de uma prescrição responsável e individualizada. As evidências são mais consistentes para alguns contextos, como dor crônica, enquanto em outras queixas, como ansiedade e insônia, a indicação exige ainda mais cautela clínica, monitoramento e discussão de riscos e benefícios. Além disso, os efeitos adversos e a resposta ao tratamento podem variar, o que reforça a importância do acompanhamento médico contínuo.
Já a neuromodulação periférica, por meio de estímulos elétricos aplicados por eletrodos de superfície, técnicas percutâneas ou sistemas específicos de estimulação nervosa periférica, pode integrar o manejo da dor em alguns casos. A evidência varia conforme a técnica e a indicação, mas estudos e diretrizes apontam que esses recursos podem contribuir para redução da dor e, em alguns contextos, para melhora funcional, especialmente quando fazem parte de uma estratégia terapêutica bem indicada e combinada a reabilitação, exercício e acompanhamento clínico.
Mais do que reunir tecnologias e procedimentos, o mais importante é definir quando, para quem e com qual objetivo cada recurso faz sentido. Na minha prática, essas ferramentas não substituem a consulta médica nem a avaliação clínica cuidadosa: elas ampliam a capacidade de compreender o caso, monitorar evolução e construir condutas personalizadas, com foco em dor, funcionalidade, movimento, qualidade de vida e segurança terapêutica.


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